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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Centro de Referências em Educação Integral entra no ar


    O anúncio de que quase seis milhões de estudantes estarão no Mais Educação, programa do governo federal de Educação Integral, reacende o debate sobre como fortalecer o trabalho de gestores, diretores escolares e educadores que vivem em seu cotidiano essa realidade. Como gerir parcerias entre escola e comunidade? Como financiar ações entre diferentes secretarias e órgãos públicos? Como identificar espaços comunitários que podem apoiar o processo de ensino-aprendizagem?
Essas e outras questões serão respondidas pelo Centro de Referências em Educação Integral, plataforma gratuita lançada na manhã desta quinta-feira (29/8), em São Paulo, por quinze organizações governamentais e não governamentais. Entre elas estão o MEC (Ministério da Educação), a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
crédito julián rovagnati / Fotolia.com

A proposta é apoiar a pesquisa, o desenvolvimento, o aprimoramento e a difusão de experiências e ferramentas que contribuam para a implementação e gestão de ações e programas ligados à educação integral. A ideia é que escolas, organizações, redes e governos possam, a partir desses materiais, estruturar e qualificar suas atividades. Futuramente, o Centro de Referências oferecerá, inclusive, formações presenciais e a distância e orientação direta a escolas e gestores municipais e estaduais.
“Embora reconheçam a importância do tema, vemos que há dificuldades de ordem prática que surgem no dia a dia desse atores. E, por isso, essas diferentes organizações se reuniram para compartilhar estratégias e identificar práticas interessantes que estão acontecendo por todo o Brasil e em outros países”, explica Natacha Costa, diretora-executiva da AssociaçãoCidade Escola Aprendiz, uma das instituições envolvidas no projeto.
O grupo afirma ainda que espera apoiar gestores e públicos e escolas em formações presenciais e a distância. O site trará também notícias e conteúdos atualizados diariamente.
Lançamento
Hoje, como evento que marca o lançamento da plataforma, mais de 50 organizações estarão reunidas na Série de Diálogos: o futuro de Aprende, iniciativa do Instituto Inspirare e Porvir. Na ocasião, serão apresentadas experiências bem sucedidas tanto na escola, quanto na gestão pública. Juntos, os participantes farão recomendações ao poder público sobre como aprimorar as inciativas da educação integral.
A plataforma
Confira as funcionalidades da plataforma.
Banco de Experiências: Banco georreferenciado de experiências em educação integral realizadas por escolas, gestores públicos e equipamentos comunitários brasileiros, que apresenta e inspira boas práticas. A área também traz o relato de casos internacionais que dialogam com a agenda brasileira.
Conceito, Glossário, Linha do Tempo e Marcos Legais da Educação Integral: Apresentação didática e ilustrada por infográficos e vídeos de conceitos e termos mais utilizados; dados sobre a evolução histórica da educação integral e documentos sobre legislações, diretrizes e políticas públicas sobre o tema.
Metodologias de apoio à gestão: Textos explicativos que respondem às principais dúvidas de gestores públicos, escolas e equipamentos da comunidade sobre a implementação e o gerenciamento de programas em educação integral. Como exemplo, a plataforma responderá como a gestão pública pode contratar e formar novos agentes educacionais, como a escola pode se articular com a comunidade e como a comunidade pode ter participação ativa no processo de ensino-aprendizagem. As metodologias serão publicadas regularmente na plataforma, sempre conectadas a experiências concretas e materiais de apoio.
Materiais: De livros que discutem o conceito a planilhas para gestão financeira, o banco de materiais reunirá diversos instrumentos que facilitam o processo de implementação e gerenciamento de programas e ações nos diferentes níveis – da comunidade à gestão pública.
Notícias: Atualizadas diariamente e sempre em licença aberta, as notícias de educação serão produzidas pelo próprio Centro de Referências e sites parceiros à iniciativa, como Portal Aprendiz, Porvir e Jornal GGN.
Área de apoio à imprensa: A plataforma contará ainda com um banco de releases e um guia de fontes catalogadas por temas e localidade, para apoiar comunicadores na produção jornalística sobre a educação integral.
Parceiros: Também é possível conferir todos os parceiros do projeto. O Centro de Referências da Educação Integral é uma iniciativa do MEC (Ministério da Educação), Instituto Inspirare, Instituto Natura e Fundação Itaú Social (que também atuam como financiadores), Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), Fundação SM, Flacso (Faculdade LatinoAmericana de Ciências Sociais), Cenpec – Educação, Cultura e Ação Comunitária, Cieds (Centro Integrados de Estudos e Programas para o Desenvolvimento Sustentável). A Associação Cidade Escola Aprendiz operacionaliza e gerencia a plataforma virtual.
Esta reportagem faz parte de uma série especial sobre educação integral, acompanhando o lançamento do Centro de Referências em Educação Integral. A plataforma do centro já está disponível, no www.educacaointegral.org.br.
Fonte: Porvir

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Conheça bons resultados das escolas de educação integral




A escola pode extrapolar seus limites e ir muito além de seus muros e ocupar também as ruas e bairros da cidade. Na chamada educação integral, os professores podem atuar como educadores comunitários e ajudar a identificar demandas, mapear espaços, pessoas e oportunidades que possam se tornar parceiros na construção de trilhas educativas; os alunos podem aprender os conteúdos curriculares a partir de vivências em diferentes espaços como na praças, quadras de esportes, lojas, igrejas, postos de saúde etc.
O conceito vem se tornando cada vez mais frequente devido à divulgação de iniciativas bem sucedidas desenvolvidas em diferentes municípios. No Rio de Janeiro, por exemplo, o Ginásio Experimental Carioca está trabalhando a multidisciplinaridade dos professores; em Belo Horizonte, as parcerias entre escolas e universidades preparam os professores do futuro por meio de experiências chão-escola. Já em Apucarana, o modelo de educação integral é obrigatório em todas as escolas municipais; enquanto em Sorocaba, as atividades do contraturno seguem o conceito de cidade educadora.
Ginásio Experimental Carioca
Criado em 2011, o modelo de educação integral do Ginásio Experimental Carioca vem sendo desenvolvido em 19 escolas públicas da cidade do Rio de Janeiro e a estimativa é chegar a 28, em 2013. A iniciativa é realizada especificamente com alunos de 7o, 8o e 9o anos e já vem colhendo frutos. No último Ideb, quatro das dez melhores escolas da rede municipal eram ginásios experimentais. Na cidade, a rede de educação é composta por 1.062 escolas, sendo que 416 são de fundamental II. “Precisávamos experimentar em algumas escolas para ver o que poderia ser feito no restante da rede”, afirma Heloísa Mesquita, coordenadora do projeto.
Uma das novidades do modelo de ensino são as disciplinas diferenciadas. Algumas são optativas, criadas para completar de forma lúdica o conteúdo tradicional, como é o caso das disciplinas de robótica, ciclos de leitura, teatro, cinema ou sexo e rock ‘n rol – nesta última, por exemplo, os alunos aprendem conteúdos sobre cuidado com o corpo e o uso de drogas.
Outra disciplina diferenciada é a que trabalha a vocação dos alunos. Chamada de projeto de vida, ela ajuda os estudantes a planejar aquilo que pretende ser “quando crescer”. Se ele quer ser um jornalista, por exemplo, os professores-tutores (que fazem a mesma função de um orientador da faculdade), acompanham e analisam o desempenho do aluno, dando sugestões do que fazer, como estudar.
Apucarana, Paraná
Já em Apucarana – a 365 km da capital Curitiba –, no Paraná, a experiência de educação integral foi estabelecida em lei pela câmara municipal há dez anos. Hoje, as 38 escolas de ensino fundamental I seguem um currículo que leva os mais de 11 mil alunos a se apropriarem de outros espaços da cidade. “Educação integral no nosso contexto tem sido um exercício de centralidade da educação, colocar efetivamente a educação como centro motor do desenvolvimento de uma comunidade, de uma sociedade”, afirma Claudio Silva atual secretário especial de educação superior, que trabalhou nos últimos sete anos como secretário de educação de Apucarana.
Essas mudanças aconteceram não apenas pela ampliação da carga horária –ampliada para nove horas diárias –, mas principalmente a partir da aproximação dos pais da escola (por meio de associações) e através parcerias com clubes sociais, postos de serviço e universidades.
Uma iniciativa realizada no município foi a instalação estratégica de 30 mini-postos de saúde próximos às escolas. “As crianças são levadas para serem atendidas com regularidade o que faz com que a educação integral se torne, de certa forma, uma economia para município. Com esse acompanhamento, as crianças tendem a ter menos problemas de saúde”, afirma Silva. Além disso, os dentistas dos postos, assumem também o papel de professor. “Eles entram na sala de aula, orientam as crianças, que passam a ter uma regularidade nos consultórios odontológicos”, completa.
O modelo trouxe melhorias no ensino do município. É  o que aponta os dados do último Ideb, que mostra que as escolas estão todas acima da média nacional, de 5,5%. Os melhores resultados foram das unidades localizadas na periferia, consideradas campeãs por alcançarem a média de 7,5%. A melhora também é refletida na evasão escolar, praticamente zero.
Cidades educadoras
Outra experiência bem sucedida acontece em Belo Horizonte, Minas Gerais. Inspirado pela Associação Cidade Escola Aprendiz com o conceito de bairro-escola – ao envolver a comunidade em um processo educativo –, o programa desenvolvido em BH se tornou exemplo de cidade-educadora. Conhecido comoEscola Integrada, o projeto vem sendo desenvolvido desde 2004, por meio de parcerias entre prefeitura, fundações, ONGs e instituições de ensino superior. O programa abrange cerca de 65 mil estudantes do 1oao 9o do ensino fundamental, que, durante nove horas diárias, realizam trilhas educativas e participam de atividades culturais, esportivas e de formação cidadã.
Segundo Natacha Costa, diretora geral da Associação Cidade Escola Aprendiz, o diferencial do programa é que os educadores das comunidades têm a figura de um professor comunitário que é o gestor de todo o programa na escola. “Os educadores ajudam a reconhecer os saberes de arte, cultural e esporte da comunidade, pois eles estão no cotidiano das crianças”, afirma.
Para reforçar a ideia de redes, a secretaria de educação realiza parcerias com onze universidades para trabalhar com estudantes de cursos de extensão e licenciatura. A iniciativa possibilita, por exemplo, que universitários da área de música trabalhem musicalização na escola ou que alunos das faculdade de jornalismo ministrem oficinas de rádio ou jornal escolar. “Os estudantes desenham propostas de atividades, montam portfólios e as escolas escolhem quais atividades vão desenvolver, enquanto as universidades dão supervisão os estudantes”, afirma Natacha.
Oficina do Saber de Sorocaba
Já em Sorocaba, no interior de São Paulo, há cinco anos, o projeto Escola em Tempo Integral-Oficina do Saber leva atividades em contraturno para mais de 20 escolas de regiões vulneráveis em quatro bairros da cidade, atingindo 10% da rede municipal. Depois do turno tradicional, os estudantes, de 7 a 10 anos, almoçam na escola e de tarde realizam oficinas esportivas, culturais e outras atividades de reforço.
A diferença é que os espaços de aprendizagem não se limitam à sala de aula em estrutura formal de ensino. As atividades acontecem em praças, parques, quadra de esportes, igrejas, seguindo o mesmo conceito do programa Cidade Educadora.
Neste ano, o programa passou a contar também com o trabalho de universitários da Fefiso (Faculdade de Educação Física) e da Academia de Ensino Superior, além de alunos da Uniso (Universidade de Sorocaba), que atuam como estagiários. “A rede com a universidade contribui para a formação do educador do futuro, fornecendo uma formação no chão-escola. No fundo é um ciclo virtuoso que está sendo criado na cidade entre futuros professores, comunidade, coordenadores e alunos”, afirma Natacha.