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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Concurso de Resenhas e Relatos da Biblioteca do Professor

Nosso professor BRUNO GOMES HOSP - PI – Geografia, lotado na E. M. João Proença foi um dos vencedores do concurso com a resenha do livro: ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, José Saramago, Companhia das Letras.


RESENHA

Talvez não o melhor ou mais premiado livro de José Saramago, mas com certeza um dos mais famosos e questionadores, “Ensaio Sobre a Cegueira” nos apresenta a história de um homem que de repente fica cego, sem nenhum motivo plausível. Porém, não é uma cegueira comum, negra, trata-se de uma cegueira branca (“como se tivesse caído num mar de leite”), como se o excesso de luz, simbolizando a variedade enorme e veloz de informação, típico de nosso tempo, tivesse-o cegado.

Com o decorrer da história, percebe-se que, uma a uma, as pessoas passam a sofrer da mesma cegueira, até chegar ao ponto de todos ficarem cegos; todos menos a mulher do médico que atendeu o primeiro cego. Assim, a história começa a tomar forma, e a busca por uma resposta àquela situação nos envolve no enredo do livro.

Entretanto, a cegueira é só o pano de fundo para uma análise da sociedade e da natureza humana, que nos leva a observar de perto as reações primitivas do ser humano diante a um mundo caótico, sem leis, governos, lares, onde o pior da humanidade fica estampado, sem pudores, através de situações vividas por um grupo de pessoas que inclui o “primeiro cego”, a “mulher do primeiro cego”, o “médico” e a “mulher do médico” (a única a enxergar), uma “rapariga de óculos escuros”, um „rapazinho estrábico”, um “velho de venda preta” (que já era cego antes do acontecimento, mas que teve sua cegueira “branqueada” como a dos outros) e um “cão de lágrimas”.

A ausência de nomes é outro ponto que chama atenção nessa obra de Saramago, os personagens são chamados como sua primeira aparição os definiu, como se a primeira impressão fosse tão forte que tivesse ficado embutida na forma de “enxergar o outro” (entre aspas, já que eram cegos). Essa forma de caracterizar os personagens revela uma crítica forte às conclusões e julgamentos precipitados que podemos fazer do outro logo ao conhecê-lo.

Dentre os vários pontos da trama, destaca-se o fato da mulher do médico enxergar. Por que isso acontece? Seria ela especial? Imune? Não há respostas para essas perguntas, talvez seja só mais uma forma de Saramago exaltar as qualidades femininas, como sempre faz em suas obras (sempre dedicadas à sua companheira Pilar); talvez pelo fato dela apresentar uma personalidade mais humana, enxergar o mundo por uma ótica mais compreensiva, inerte aos pudores e dogmas sociais. Isso não chega a ter importância, o fato é que ela se torna a principal personagem da história, sendo responsável por guiar o grupo e protegê-los dos perigos do mundo no qual estão inseridos. Ela seria a consciência daquele mundo e, possivelmente, o alter ego do autor, responsável pela narração e por nos conduzir junto aos peregrinos cegos.

O título não se resume à tal cegueira branca, o livro realmente faz um ensaio superficial sobre os tipos de cegueiras, físicas ou não, mas nos remete a repararmos na mais comum e maléfica das cegueiras, a cegueira imposta pela sociedade: uma barreira que não nos permite enxergar o que realmente importa nas relações humanas e na maneira de vermos o mundo. Barreira derrubada no decorrer da trama que nos deixa em xeque a todo o momento conosco mesmo e nossas convicções, nos remetendo à frase que define o livro: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.” (José Saramago).


terça-feira, 14 de maio de 2013

Resultado do Concurso de Resenhas e Relatos da Biblioteca do Professor




1º CONCURSO DE RESENHAS E RELATOS DE EXPERIÊNCIA DA BIBLIOTECA DO PROFESSOR – 2013
VENCEDORES

RESENHAS
Ordem
Nome
Matrícula
Cargo/função
Lotação
Livro/autor
01
Márcia Elisa Lopes Silveira Rendeiro
10/169.885-1
PI - História
06.25.031 Levy Miranda
A soma dos dias – Isabel Allende
02
Eliane Chaves França
10/239.929-3
PI – Artes Cênicas
02.09.026 Prof. Lourenço Filho
Cordilheira – Daniel Galera
03
Vinicius Baião Vieira
10.259.694-8
PI
06.25.005 Charles Anderson Weaver
Como se não houvesse amanhã- Legião Urbana revisitada por jovens autores – Henrique Rodrigues (org.)
04
Lygia de Lacerda Nascentes
10/100.388-8
PI – Língua Portuguesa
10.19.036 Dr. José Antonio Curado
Syngué Sabour – Pedra-de-paciência – Atiq Rahimi
05
Rosana de Souza Pereira Carvalho
10/256.422-7
PI
05.14.021 Nun’Alvarez Pereira
A soma dos dias –Isabel Allende
06
Bruno Gomes Hosp
10/247.316-3
PI - Geografia
09.18.019 João Proença
Ensaio sobre a cegueira – José Saramago
07
Luciane de Assis Almeida
10/209.038-9
PII – Sala de Leitura
05.14.020 José do Patrocínio
A soma dos dias – Isabel Allende
08
Ilka Valeria Oliveira dos Santos
10/114.617-4
PI
06.22.006 Antenor Nascentes
A divas do Rádio Nacional: as vozes eternas da Era do Ouro – Ronaldo Conde Aguiar
09
Mônica de Andrade Martins
11/124.355-9
10/247.025-0
PII – Diretor VI
05.14.607 C.M. Sementinha
O amor nos tempos do cólera – Gabriel Garcia Márquez
10
Anderson de Souto
10/255.231-3
PI – Língua Portuguesa
09.18.042 Fernando Barata Ribeiro
Histórias que os jornais não contam – Moacyr Scliar


RELATOS DE EXPERIÊNCIA
11
Lourdes Sampaio Menezes
10/171.927-7
PII
06.22.004 Paraíba
O melhor das comédias da vida privada – Luiz Fernando Veríssimo
Ensaio sobre a cegueira – José Saramago
12
Márcia Romoaldo da Silva
11/
Diretora
06.22.004 Paraíba
O melhor das comédias da vida privada – Luiz Fernando Veríssimo                                             Ensaio sobre a cegueira – José Saramago
13
Audrei Alonso Brito do Nascimento
12/137.355-4
C.P.
09.18.510 CIEP Armindo Doutel de Andrade
O menino do pijama listrado – John Boyne
14
Solange de Almeida Barros Andrade
10/199.820-2

09.18.510 CIEP Armindo Doutel de Andrade
O menino do pijama listrado – John Boyne


E/SUBE/CED/Mídia-Educação
Tel:2976-2318 /2976-2319